Há pessoas que não percebem como é que existem milhares de milhões de euro para cobrir prejuízos de bancos mas não existe dinheiro para salvar a pequena Quimonda. Não percebem também como é que uma potência como a Alemanha não poupa esforços para salvar grandes empresas de automóveis mas não se preocupa minimamente com a nossa maior empresa exportadora. Acima de tudo não percebem como é que a Europa não defende uma das poucas empresas de tecnologia de ponta que poderia competir com as empresas asiáticas do sector. Na minha modesta opinião a guerra tecnológica com a Ásia está perdida à partida. Infelizmente para Portugal e acima de tudo para as pessoas que lá trabalhavam é uma ilusão achar que este tipo de empresas tem viabilidade num cenário que não seja de baixíssimos salários e pouquíssimas regalias sociais como na Ásia. Daí que a Alemanha não considere prioritário gastar dinheiro dos seus contribuintes nesta área. Mas Portugal em certo momento considerou, e agora que o mal está feito, qualquer desculpa serve para defender esse investimento. É compreensível. Espero que consigam um milagre.
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Quanto mais complexas são as questões, maior a necessidade de recorrer a formas simplificadoras para as explicar. O resultado é simplificar tanto as coisas complexas ao ponto de elas parecerem mais simples que as realmente simples.
ResponderEliminarUma dessas simplificações passa pelos modelos económicos e de gestão. Qual é a receita do sucesso? Precisamente por esta questão não ter resposta definitiva, apenas uma reposta para cada momento e para cada situação, é que existe a figura do empreendedor, que é a pessoa que descobre oportunidades ainda não identificadas. Depois há quem pegue nisso e ache que isso se traduz por outros chavões tipo “inovar”. Se as decisões, por exemplo, do governo Alemão fossem apenas ditadas pela racionalidade económica a questão já seria por si complicada. Os governos, em particular, estão particularmente mal informados sobre as decisões correctas a tomar no terreno, tal a distância a que dele estão. A um governo nunca passaria pela cabeça exportar têxteis para a China, pois é de lá que a maior parte vem, mas há quem faça isso com sucesso. O pensamento europeu é particularmente fatalista porque isso é uma forma engenhosa de encobrir a cobardia, nós perdemos as batalhas por falta de comparência.
Mas porque razão dá um governa a mão a uns e não a outros? A suposta racionalidade é apenas um dos factores. Nenhum político chega ao poder sozinho. É uma longa caminhada com ajudas várias que terão de ser pagas mais tarde ou mais cedo. Mas há outras razões mais prosaicas. Se em Portugal uma empresa como a Qimonda pode chamar as atenções do público por tratar de um tipo de negócio onde nós normalmente não nos metemos, na Alemanha isso pode ser desprezado pelo público, que certamente terá muito mais orgulho na sua lendária indústria automóvel. O ficar bem junto ao público é indispensável para qualquer político. Mas também para ficar bem para um certo grupo de intelectuais.
Escuso-me a comentar a actuação do governo português. Não me apetece rebaixar-me tanto.
WB
Concordo que a falta de comparência não é a melhor opção e o empreendedorismo deve ser incentivado mas com base nos maus resultados à que saber redireccionar os objectivos e não andar com este teatral esforço diplomático para fingir que se faz alguma coisa para proteger o emprego.
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