quarta-feira, 8 de abril de 2009

TGV dos Pobres

É impressão minha ou um dos defensores do traçado da margem norte disse que apesar da topologia do terreno ser menos favorável mesmo assim a solução é mais barata considerando os custos operacionais, uma vez que a distância deste traçado é inferior e o custo de manutenção por km elevadíssimo. Ou seja, o TGV não só terá um investimento superior a 3 buracos do BPN como depois de concluído terá custos de manutenção elevadíssimos. Isto é assumido pelas mesmas pessoas que andam a tentar convencer-nos que não à vida sem TGV e que a análise custo beneficio é favorável ao avanço do projecto. Considerando 1 milhão de pessoas por ano a 50€ o bilhete, seriam precisos 140 anos só para cobrir o investimento inicial de 7 mil milhões que como em qualquer obra será ultrapassado largamente. Para o projecto ser viável seria preciso um fluxo enorme de turistas estrangeiros a frequentarem o novo aeroporto e o TGV. Mas será que os turistas que nos visitam querem ser recebidos em aeroportos e comboios de luxo? Será que não estamos a tentar oferecer algo que é exactamente o contrário daquilo que o turista procura? Ainda vamos descobrir tarde demais que teria sido preferível recuperar aeroportos pequenos para low costs e reabilitar o centro das cidades dando algum charme a Portugal mantendo o preço dentro de limites aceitáveis. E quanto aos custos de manutenção, a melhor maneira de os minimizar é reduzir os km de linha para zero. Seria um alívio para todos os pobres deste país.

3 comentários:

  1. O custo é sempre custo de oportunidade. Não se pode ver o custo como tantos milhões de euros mas sim fazer a comparação com o que de melhor se poderia fazer com o dinheiro, neste caso, do TGV. Esta é a única forma de realmente pensar nos mais desfavorecidos e há mais de dois séculos que foi esclarecida. Mas a comunicação social vive na periferia da realidade e alegra-se a discutir hipóteses sobre um erro base, erro esse que nunca é posto em discussão.

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  2. A discussão do TGV é mais uma discussão estéril na sua raíz. Tudo indica que quando chegar a altura de de facto fazer o TGV Portugal não tenha financiamento para tal. Podem arranjar-se as habituais artimanhas de adiar pagamentos para orçamentos futuros, mas já não há bens para dar como garantia. Por isso, ninguém vai emprestar o cacau e nenhum provado vai enterrar dinheiro no projecto se perceber que não vai receber mais valias.

    Por isso, o debate sobre se vai por aqui ou por ali, é mais uma maneira de enchermos o tempo e darmos uns aos outros a noção de que somos um País a sério e que conta para alguma coisa.

    Os peritos do costume, e mais alguns lá aparecem na TV discutindo acalodamente e tratando-se por Sr. Prof, Sr. Dr e Sr. Eng.

    Mas discutem algo que tem tanta correlação com a realidade como discutir o projecto do Benfica ser campeão europeu nos próximos 20 anos.

    It´s not gonna happen!

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  3. Acredito que se o PS voltar a ter maioria absoluta o TGV vai mesmo avançar. Se o TGV fosse iniciativa inteiramente privada a questão do financiamento seria crucial, aliás, esse financiamento seria automaticamente rejeitado. Mas sendo o TGV uma iniciativa estatal e, mais ainda, um projecto trans-comunitário, se os políticos exigirem, a banca vai ter de financiar, dê por onde der. A actual crise serviu para cimentar duas barbaridades: que o Estado deve intervir mais e mais e que deve regular (vigiar sabe-se lá com que intenções) mais e mais. Nacionalizar bancos não vai custar nada, se for necessário, mesmo sem ser em tempos de crise.

    Claro que inicialmente vários bancos vão recusar-se a financiar as empresas que ganharem os concursos para o TGV, se é que concurso existirá. Não se querem queimar nem fazer operações suicidas. Vão financiar apenas em troca de benesses do Estado mais ou menos encapotadas, que possam cobrir o rombo. Ou então o Estado força a criação de consórcios com vários bancos para dividir o mal (financiamento) pelas aldeias. E o próprio Estado tem sempre forma de se financiar lá fora, porque consegue alterar os seus “ratings” transferindo a sua incompetência para terceiros. E pode simplesmente nacionalizar 4 ou 5 bancos porque estes se recusam a financiar o TGV e este é tido como a salvação do país.

    Não vale a pena contar com uma grande racionalidade empresarial nestas grandes decisões quando o mundo está novamente a reger-se por uma lógica estatista.

    WB

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