sexta-feira, 17 de abril de 2009

Partidos Fora do Poder

Esperar que os partidos resolvam os problemas do país é um contra senso. São apenas organizações que lutam pela conquista do poder político. Ao contrário do que dizem já não se regem por ideais nem convicções. Se a ideia é fazer a diferença então há que cortar todas as ligações com os partidos. Hoje em dia ser conotado com um partido é contraproducente qualquer que ele seja. Deixaram de merecer crédito. Nos últimos anos têm apenas gerado pessoas convencidas que não passam de chicos-espertos. Promovem líderes fracos, moldáveis, alguns mesmo corruptos, que só pensam em promover as suas carreiras políticas e os seus egos. Funcionam como elevadores para ascenção ao poder para quem não tem outra maneira de subir.

2 comentários:

  1. Muito bem.

    Uma das tragédias intelectuais dos tempos modernos é ver a política como um jogo em que só entram em disputas os próprios políticos que vão a eleições. No máximo acrescenta-se algumas formas mais visíveis, como os sindicatos e pouco mais. Mas isto é onde termina a política, não onde começa, nem por onde passam as grandes linhas orientadoras.

    Os políticos profissionais têm uma preocupação estrita com a sua ascensão pessoal. Numa sociedade complexa nem poderia deixar de ser assim, excepto em momentos de ruptura onde há uma janela de oportunidade para surgirem grandes figuras ou, como no caso actual, grandes embustes a nível mundial.

    Os políticos usam uma linguagem que eles mesmos não compreendem, apenas conhecem os efeitos que produz. Falam de conceitos que nunca examinaram mas alguém lhes segredou que seriam uma boa muleta de apoio. A verdadeira força política está em quem monta a linguagem e em quem põe os conceitos em circulação. É fácil fazer este tipo de política quando se está a favor da corrente, os jornalistas percebem-nos e amplificam o que dizemos, o público reage instintivamente aderindo, os políticos ficam de olhos a brilhar ao perceber uma possibilidade de um soundbyte na calha.

    Fazer política em oposição a isto é extremamente difícil, logo a começar porque aquilo que parece ser oposição é muitas vezes apenas uma corrente menos radical do mesmo movimento, mas frequentemente mais eficaz a conseguir o mesmo objectivo. Os partidos até têm a vantagem de serem recipientes suficientemente moldáveis para poderem ser modificados por dentro com alguma eficácia. Uma pessoa não conseguirá fazer isso, mas umas poucas fariam diferença. Por exemplo, neste momento o PS é um partido relativamente liberal em termos de economia, mas é totalmente de extrema-esquerda em termos de concepção de sociedade. Aliás, a ignorância geral não sabe que o movimento comunista sempre foi uma aliança entre intelectuais comunistas e o grande capital servil a estes. Um partido como o PS já tem ideologia e um rumo, é precisamente o do Bloco de Esquerda, mas difere deste em termos de realismo, avança com passos seguros e uma maior aura de seriedade, mas avança e basta olhar para esta legislatura para ver quantas bandeiras do bloco avançaram.

    Se as pessoas honestas saírem dos partidos, como tem ocorrido, estes ficam entregues a uma fauna radical, com o perigo de esta ficar encoberta e com uma aparência de responsabilidade. Por isso, neste momento faz tanta falta gente competente no PSD que possa fazer uma oposição credível ao governo mas também gente séria no próprio PS para que este seja no mínimo um partido democrático. O PS é actualmente um partido fascista – Dizer isto não é um slogan comuna, é uma conclusão a que se pode chegar a partir de um raciocínio lógico e sério (as duas coisas nem sempre coincidem). E dizer que o PS é fascista e ao mesmo tempo segue uma estratégia comunista não é qualquer contradição, excepto se pensarmos em questões de estilo. Quem quer que tenha estudado o socialismo a sério sabe que a passagem ao comunismo nunca ocorre mas chega-se sim a um estádio que na prática é o fascismo.

    WB

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  2. Começa a ser óbvio para cada vez mais pessoas (e não é um problema exclusivamente português) que a actual relação parasitária entre políticos e poder não satifaz ninguém.
    Se colocarmos um elefante numa loja de porcelanas, estamos á espera que ele encontre a saída sem destruir a loja?
    Claro que não. Do mesmo modo não podemos esperar que os políticos saibam encontrar um modelo de gestão, soluções para problemas económicos ou poções mágicas anti-crise.
    Os políticos deviam limitar-se a fazer política, sendo que muitos já se enquadram numa carreira profissional mais adequada, como comentadores de actualidade ou escritores de opinião.
    Tenho esperança que o dia em que teremos profissionais qualificados a governar o País não andará longe. Até quem sabe poderá haver cursos no ensino superior para primeiro-ministro ou presidente de câmara.

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