segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Hospitais Públicos

Ter um filho internado num hospital representa uma situação de total vulnerabilidade e em que qualquer pessoa suplica que o sistema de saúde público funcione. Se existe um bom motivo para pagar impostos este é um deles. A minha experiência felizmente está a ser globalmente positiva, embora não saiba como seria sem a intervênção de médicos amigos que intercederam no meu caso particular. Mesmo assim, há tanta coisa que funciona mal. Com pouco dinheiro poderiam ser resolvidas tantas complicações, tantos entraves a uma actuação eficente dos médicos. Por outro lado constato que também há muitas coisas boas no sistema de saúde. E tenho medo que no futuro os cortes orçamentais inevitáveis a todos os níveis, destruam o que há de bom na saúde em Portugal.
No outro dia, um grande amigo dizia que não podemos ter um atitude péssimista como tem o Medina Carreira, que não podemos mostrar verdade toda para evitar cairmos numa depressão colectiva. Que temos de nos orgulhar de ter a menor taxa de mortalidade infantil do mundo. Concordo. Mas até quando? É porque tudo o que há de bom no sistema de saúde custa dinheiro, e até quando é que vamos ter esse dinheiro? Depois desta minha experiência pessoal vou lutar com todas as minhas forças contra todos os palhaços deste país, como descreve de forma corajosa o Mario Crespo na sua crónica.
Porque estamos a deixar com o nosso conformismo que esta gentalha, como diz o Medina, destrua aquilo que é mais importante, a saúde, a educação, a justiça. Quando tivermos sufocados em juros a pagar os TGV's e autoestradas e os lucros descomunais de uma dezena de empresas protegidas pelo estado, já vai ser tarde de mais. A altura de agir é agora! Em Portugal mais que o aquecimento global, temos à perna a corrupção global que vai levar a um extremar das desigualdades sociais ao nível dos países do terceiro mundo. Chega de paninhos quentes, está na hora de encarar a realidade de frente, custe o que custar!

Sem comentários:

Enviar um comentário