É do senso comum que os actuais partidos estão podres e já não deviam existir mas poucas pessoas têm a coragem de o dizer porque não há alternativas com vista a uma transição pacífica para outro modelo. Por isso vamos continuar a fingir que está tudo bem até ao dia em que seja insustentável continuar. Tendo isso em consideração e sabendo que Portugal e corrupção são duas palavras inseparáveis, faz todo o sentido aumentar o limite dos financiamentos dos partidos. Nem percebo como é que demoraram tanto tempo a fazê-lo. Qualquer dia ainda vão inventar linhas de crédito especial para financiamentos de partidos. Já estou a ver o slogan da campanha eleitoral: “Invista no nosso partido que o retorno compensa. É um investimento seguro e sem riscos”.
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Quando olhamos para os partidos, e se conhecemos algo do seu interior, ficamos desiludidos, sem dúvida. A extrema-esquerda tem sede de abismo. O CDS contenta-se com a sua morte lenta, como se não existisse vida possível para um verdadeiro conservadorismo em Portugal mas apenas lastro para a autopromoção. O PS está dominado por pequenos e grandes vigaristas e o PSD esvaziou-se dos seus melhores valores, vendo-se reduzido a um quase nada, devida à perda de poder e às lutas intestinas.
ResponderEliminarSabendo ainda que há 100 anos atrás se vivia algo idêntico e que não acabou nada bem, surge então a vontade de parar a sangria a tempo e mudar o sistema. Acontece que o sistema não se restringe apenas àquilo que a nossa mente consegue abarcar, mas àquilo que realmente existe. Por simplicidade poderíamos considerar que o sistema são os partidos e os eleitores e daí poderíamos tirar conclusões mas elas só seriam válidas se as variáveis relevantes se encontrassem apenas aqui.
É certo que os partidos são uma força de bloqueio a mudanças relevantes, porque todos têm algo a perder. O PS mais que todos, por razões óbvias, mas o PSD também porque sonha sempre voltar ao poder mais tarde ou mais cedo. Mas os partidos já pouco decidem. Supondo que teríamos gente da mais alta craveira dentro dos partidos, qual seria a diferença? Quase nenhuma. Todo o panorama cultural, escolas, universidades, comunicação social, já está totalmente dominado pela esquerda ideológica, uma máfia que nunca se elegeu para ter o poder que tem e nunca o fará. Os partidos não têm forma de se opor a isto, são tempos diferentes. Os partidos pensam num horizonte de poucos anos, só ligam a medidas sondáveis. A cultura ideológica, pelo contrário, segue um projecto em implementação há várias décadas, com fluxos e refluxos, onde é criadora de situações e todos vivem nelas achando que é a evolução espontânea das sociedades. Não há um único comentador político em Portugal que tenha a mínima noção do tamanho do problema e só conseguem diagnosticar parcialmente o problema, propondo soluções que nada resolvem.
Por outro lado, em termos de políticas concretas os partidos também já nada podem. Grande parte das políticas já são implementadas a nível europeu, sem os governos nacionais terem forma de se pronunciar. Depois, mesmo em matérias onde haveria autonomia dos estados, muito já é feito por acordos secretos entre governos, onde apenas alguns têm peso. E depois, há todo um tipo de pressão mediática global que torna quase inevitável a tomada de certas medidas, sob pena de se ser acusado de não estar a fazer nada. Um bom exemplo é o combate à crise internacional, onde governos por todo o mundo tomam medidas irracionais apenas porque a pressão para o fazer é insuportável.
O que sobra para os partidos? Precisamente o que temos agora. Uma forma de gerir lugares, de lavar dinheiro, de pequenas corrupções, algumas não tão pequenas quanto isso. A ilusão é achar que os partidos estão a corromper tudo, pelo contrário, a corrupção foi a única alternativa deixada para os partidos.
WB